Análise Relativa 301
Postado em : 28-07-2010 | Por : Luiz Augusto | Em : Finanças
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Chegamos a lógica por trás dos números. Veremos como funciona a análise relativa embaixo do capô e quais múltiplos devem ser usados e quais não. Você também descobrirá que muitos profissionais usam alguns completamente sem sentido e ainda tomam decisões baseadas neles.
Para quem quiser revisar: Análise Relativa 101 / Análise Relativa 201
Matematicamente falando, o múltiplo é composto por um numerador e um denominador. Basicamente você divide uma informação em forma de número por outra. Essa parte é bem simples, mas agora vamos ao racional por trás disso; afinal não basta sair dividindo qualquer coisa que encontramos pela frente, elas precisam ter sentido juntas.
Resumindo, o múltiplo precisa ser consistente. Isso quer dizer que tanto o numerador quanto o denominador devem se referir aos mesmos “interessados” (foi a melhor tradução de claimholder que eu consegui pensar).
Em outras palavras, valores referentes aos acionistas devem ser divididos por valores referentes aos acionistas. Ainda parece complicado? Então vamos a alguns exemplos:
- P/L: Preço da ação – é um valor que se refere aos acionistas. L – também é um valor que se refere aos acionistas. Confere
- P/VPA: Preço da ação – é um valor que se refere aos acionistas. VPA – também é um valor que se refere aos acionistas. Confere
- P/CF: Preço da ação – é um valor que se refere aos acionistas. CF – refere-se a diversos claimholders. Não deve ser usado!
- Div. Yield: Dividendo pago – é um valor que se refere aos acionistas. P – é um valor que se refere aos acionistas. Confere
Dos quatro múltiplos apresentados no último post, 3 fazem sentido e um não tem lógica nenhuma. Felizmente o P/CF não é muito utilizado no Brasil. Agora passemos a alguns múltiplos que vem ganhando cada vez mais destaque nos últimos anos:
- EV/EBITDA: Nada mais é que Enterprise Value dividido pelo lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização (no português LAJIDA, que na minha opinião é horrível!). O EV nada mais que o Patrimônio Líquido+Dívida+Dinheiro, ou seja, além de acionistas inclui também governo e detentores da dívida da empresa. Como o EBITDA é antes de impostos (governo) e juros (dívida) ele inclui todos os claimholders assim como o EV. Confere
- P/EBITDA: Preço da ação – é um valor que se refere aos acionistas. EBITDA – refere-se a todos os claimholders. Não faz sentido!
- P/Vendas: Preço da ação – é um valor que se refere aos acionistas. Vendas – é a primeira linha da DRE, depois disso impostos e juros precisam ser descontados. Sem lógica!
Esses exemplos deixam mais claro o funcionamento “por trás” dos múltiplos. E também nos dão subsídios para argumentar caso alguém nos tente empurrar um P/EBITDA abaixo da média.
Continuamos no próximo artigo!




Por que estão usa-se tanto o P/EBITDA no mercado, inclusive em casos de fusões e aquisições?
Como diria Damodaran “It was here when I got here”
Basicamente ele e’ jogado goela abaixo dos “novatos” que tem que aceitar isso ou ir embora.
E’ o mesmo motivo que 6 X EBITDA e’ usado. Sem logica nenhuma, mas e’ “senso comum”.