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PIIGS – Alemanha versus Grécia (e Espanha)

Postado em : 26-02-2010 | Por : Nastássia | Em : Economia

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A turbulência gerada nos mercados mundo afora vem recentemente mais da zona do euro do que dos EUA. O que aconteceu foi que o endividamento dos países em relação ao PIB traz uma preocupação consequente: serão eles mesmos capazes de se financiar? Ao mesmo tempo, como fazem parte de um bloco de 16 países com política monetária unificada – a moeda de todos eles é a mesma, o Euro (€) – surge a questão: caso não consigam, irá algum outro membro providenciar o socorro?

Os problemas por trás do endividamento não são exclusivamente da ordem fiscal (que já por si só é algo sério), mas também algo monetário: a ameaça do Euro, uma das moedas mais fortes. No gráfico abaixo, conseguimos ver como, desde novembro de 2009, a moeda vem perdendo sua força e sofrendo expressiva depreciação em relação ao dólar norte-americano. A desvalorização foi de 10,0% só em 2010.

Euro

                                                                                                                                                                                   Fonte: Bloomberg

Na União Europeia, os países devem tentar resolver seu endividamento internamente. A Irlanda, altamente endividada, foi forçada a cortar o déficit orçamentário em 4% do PIB, para 8,7% pelos ministros das finanças dos países membro. Por que, então, haveria a UE (ou Alemanha, por ser a maior economia) ter de socorrer a Grécia, que está em foco no momento, por exemplo? Por isso, a questão passa a ser também de ordem política.

O aspecto político é agravado pelas críticas à Alemanha. Enquanto na maior economia europeia a produtividade dos trabalhadores aumentava e as empresas se modernizavam, os salários permaneceram praticamente constantes. Pela moeda do bloco ser única, não havia como outros países desvalorizarem-na para ganhar competitividade.

Além disso, Krugman cita o caso da Espanha, outro país em situação preocupante. O país passou por um boom do mercado imobiliário, com valorização expressiva no preço dos imóveis, de 35% entre 2000 e 2008. A maior parte da injeção de capital, no entanto, não veio de espanhóis, mas sim de outros vizinhos, especialmente alemães. Qual o resultado? Enquanto a bolha não estourou, o desemprego permaneceu estável, bem como o endividamento, mas depois, o aumento da inflação na Espanha foi inevitável.

O que vai ser do Euro? Enquanto os países não cortarem seus déficits, a exemplo da Irlanda, haverá instabilidade. Outra dificuldade é que isso tem de ser feito em meio à recuperação da crise, que exige aumento de gastos do governo para conter o desemprego e manter a economia funcionando. Além disso, há de ter uma maior união política. Se a monetária foi feita, por que não se pode haver maior consenso político?

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