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Investimentos e Educação

Postado em : 05-04-2010 | Por : Nastássia | Em : Finanças

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Investimentos: palavra fácil, amplamente utilizada, na linguagem coloquial, culta; em revistas, jornais, livros; por quem trabalha na área ou não. O significado é conhecido por todos e é de senso comum a importância em investir.

Educação: também palavra fácil, amplamente utilizada, na linguagem coloquial e também na culta; em revistas, jornais, livros; por professores, alunos, ex-alunos. Múltiplos significados e também de senso comum sua importância.

Aonde quero chegar? Que ao mesmo tempo que ninguém desconhece a importância de se investir (leia-se, guardar dinheiro) e da educação para um país (nível de instrução com qualidade), ambas não são fáceis de se por em prática. Na verdade, esse post é um questionamento do mito instaurado sobre o “mundo dos investimentos” e por que é tão comum o receio e a resistência em se lidar com dinheiro.

Não vou começar pela culpa instaurada pela igreja há muito tempo atrás, o pecado e a usura – pularei essa parte do Dinheiro x Culpa. Resolvi escrever sobre isso após escutar inúmeras vezes e por pessoas de alto nível educacional que os assuntos relacionados a dinheiro, investimentos, ações são chatos, difíceis, complexos. Pior que o desânimo de muitos (boa parte dos meus amigos, inclusive) é ouvir a crença generalizada “não tenho dinheiro para investir” quando eu sei que não é verdade (no caso desses amigos); que o desinteresse e a ignorância sobre o assunto levam a falácias.

Ora, se o objetivo é investir,  o essencial é poupar. E nisso está grande parte do problema – a falta de hábito de poupança; a preferência em gastar “x” ao invés de se ter paciência e esperar, para poder gastar “2x”.

A outra parte, generalizando, está na falta de informação sobre finanças. No Brasil, nosso ensino é muito teórico. Apesar de  aprendermos nas escolas o conteúdo de forma muitas vezes mais profunda que em outros países, ele não é voltado para o dia-a-dia.

Um exemplo é o de aulas extra-curriculares em outros países: a partir delas, as crianças vão se preparando para o mundo real e conseguem até mesmo identificar suas preferências e áreas de interesse. Uma dedução lógica (mesmo não querendo explorar aqui) é que facilita até mesmo na escolha da profissão, que acaba sendo muito menos abstrata que para os brasileiros – acostumados a ter, desde pequenos, sempre as mesmas matérias e não tem noção concreta do que aprenderão na universidade.

A pergunta que me faço é por que não podemos fazer o mesmo aqui. Mais que isso, por que não aprendemos sobre investimentos na escola, ao estudar, por exemplo, matemática básica. Falta a associação de números com o dia-a-dia. E isso é essencial: todos nós lidamos com dinheiro. O número de investidores poderia ser muito maior se tivéssemos maior contato com o assunto – não é a toa que nos EUA, por exemplo, é comum ouvir de um estudante que ele guardou dinheiro dos “summer jobs”, “part-time jobs”, “estágios temporários” para aplicar no mercado financeiro.

Enquanto não houver incentivo, as pessoas vão continuar achando “muito complexo para entender” e se apoiar nesse argumento (inconsciente ou conscientemente) para postergar seus investimentos. Pior que isso, os que investem não se interessam em saber como seus recursos estão distribuídos; vão continuar só se preocupando com o resultado: Deu lucro? Quanto? Não dá para ganhar mais?

Defendo a educação de qualidade. Não acho que o conteúdo teórico tenha que ser reduzido, mas acredito que a prática tem de ser introduzida no sistema educacional. Isso tornaria as aulas muito mais interessantes, estimulantes e ajudaria na assimilação do conteúdo. E defendo que finanças deveria ser uma matéria obrigatória, para o bem de todos – ou pelo menos para os que não se aproveitam do “mito” dos investimentos a fim de se beneficiar às custas de outros.

Comentários (2)

Bom post! Acho que além da educação, o brasileiro não tem personalidade agressiva… já o americano sempre teve ambição de crescer, de assumir riscos pra isso…
Percebo, no entanto, que as novas gerações estão mais à vontade nesse meio mais arisco do mercado financeiro… O que será que está nos fazendo mudar? Influência dos grandes?

Excelente post, e aproveitando os dizeres do Diego, acredito que a mudança está acontecendo devido à alta nas informações referente ao mercado financeiro em todos os meios de comunicação.

Não é a toa que em praticamente todo o site que navegamos hoje, pelo menos não tenha um índice do Bovespa, mesmo que em letras minúsculas, mas ele está lá, e isso eu acho que está chamando atenção da nova geração, a curiosidade está fazendo que eles pensem em o porque que aquilo é exibido todos os dias, inclusive na TV, todos os dias falam pelo menos uma vez dos índices da Bolsa, assim creio que o interesse está aumentando.

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